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Colunas

ACALANTO

Daniel Lima (*)

Dorme, dorme, meu menino:
mas dorme mesmo de vez.
Fica dormindo quietinho,
para sempre descansando
feito anjo de asas puras
(anjo ou mesmo passarinho,
talvez simples borboleta)
Mas dorme, pobre menino,
um sono definitivo:
não tenhas medo do sono:
não há pavão no telhado
nem gato preto também.
Não tenhas medo da morte,
que a vida é o que causa medo.

(*) Sacerdote, poeta, escritor e professor da UFPE. Timbaúba, PE, 1916 / Recife, 2012.

Entre seus belos poemas destaco Acalanto - para lembrar Aylan Kurdi, o menino sírio que morreu afogado no mar, em Bodrun na Turquia, no dia 02 de setembro de 2015, quando tentava chegar à Grécia, fugindo da sua terra Kabani, devastada pela guerra.
No mês em que se comemora o Dia da Criança, com risos e alegria por toda parte, vamos alongar o olhar e, com amargura, veremos que o poema Acalanto está bem presente no cotidiano de muitas crianças brasileiras, afogadas no imenso mar da indiferença.

Si Cabral
sicabral@ibest.com.br